Conceitos

O QUE É ETNODESENVOLVIMENTO?
A discussão sobre o etnodesenvolvimento emergiu de forma mais consistente no debate latino americano em 1981, surgindo então, como um contraponto crítico e alternativo às teorias (e ações) desenvolvimentistas e etnocidas que tomavam (e tomam) as sociedades indígenas, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais em geral como um obstáculo ao desenvolvimento, à modernização e ao progresso.
Uma das principais referências sobre o assunto na América Latina é Guilhermo Bonfil Batalla. Fazendo a seguinte consideração: É o exercício da capacidade social dos povos indígenas para construir seu futuro, em consonância com suas experiências históricas e os recursos reais e potenciais de sua cultura, de acordo com projetos definidos segundo seus próprios valores e aspirações. Ou seja, o etnodesenvolvimento pressupõe existirem as condições necessárias para que a capacidade autônoma de uma sociedade culturalmente diferenciada possa se manifestar, definindo e guiando seu desenvolvimento. (VERDUM, 2006, P.73)

Para Batalla, o etnodesenvolvimento requer que as comunidades sejam efetivamente gestoras de seu próprio desenvolvimento, que busquem formar seus quadros técnicos – antropólogos, engenheiros, professores etc. – de modo a conformar unidades político-administrativas que lhes permitam exercer autoridade sobre seus territórios e os recursos naturais neles existentes, de serem autônomos quanto ao seu desenvolvimento étnico e de terem a capacidade de impulsioná-lo.

Outra referência importante é de Stavenhagen (1985), propositor do conceito que definiu o etnodesenvolvimento como um modelo alternativo de desenvolvimento que mantém o diferencial sociocultural de uma sociedade, ou seja, sua etnicidade. Nessa acepção, o desenvolvimento tem pouco ou nada a ver com indicadores de “progresso” no sentido usual do termo: PIB, renda per capita, moralidade infantil, nível de escolaridade etc. Na definição de Stavenhagen, o “etnodesenvolvimento significa que a etnia, autóctone, tribal ou outra, detém o controle sobre suas próprias terras, seus recursos, sua organização social e sua cultura, e é livre para negociar com o Estado o estabelecimento de relações segundo seus interesses”.

Em termos gerais, os princípios básicos para o etnodesenvolvimento são: Objetivar a satisfação de necessidades básicas do maior número de pessoas em vez de priorizar o crescimento econômico; embutir-se de visão endógena, ou seja, dar resposta prioritária à resolução dos problemas e necessidades locais; valorizar e utilizar o conhecimento e tradições locais na busca de soluções dos problemas; preocupar-se em manter relação equilibrada com o meio ambiente; visar à auto-sustentação e a independência de recursos técnicos e de pessoal e proceder a uma ação integral de base, com atividades mais participativas (AZANHA, 2002, p.31).

Luiz Alberto Dias

Os princípios do Etnodesenvolvimento compreendem o respeito à autonomia e à autodeterminação dos Povos Tradicionais.

“O desenvolvimento de atividades norteadas pelos preceitos da sustentabilidade, da não geração de dependência tecnológica e econômica, assim como pela gestão transparente dos recursos necessários à sua realização; o enfoque à proteção das Terras Indígenas e a valorização dos conhecimentos e técnicas destes Povos.
O etnodesenvolvimento significa a compreensão e identificação das raízes históricas e dos marcos identitários e civilizatórios existentes na origem das comunidades quilombolas, neste caso. O conhecimento a esse respeito permite identificar igualmente as causas determinantes do processo de dominação e expropriação material e cultural, e a partir dele, buscar alternativas de superação, autogestionárias e emancipatórias. Compõe este universo o desenvolvimento endógeno.”

Almira Maciel

“O Etnodesenvolvimento significa que uma etnia, autóctone, tribal ou outra mantém o controle sobre suas próprias terras, seus recursos, sua organização social e sua cultura, e é livre para negociar com o Estado o estabelecimento de relações segundo seus interesses e o princípios  da economia solidária”

Rodolfo Stavenhagem

A Economia Solidária se constituí como uma proposta de desenvolvimento integrada que pode ser entendida como um conjunto de atividades econômicas, que compreende a produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizado e realizado por trabalhadores e trabalhadoras sob as formas coletivas , democráticas e auto-gestionárias. São Princípios da economia solidária o uso responsável dos recursos naturais, o comércio justo e solidário, a democratização do acesso a tecnologias, decisão coletiva dos recurso econômicos e o combate a toda forma de discriminação e exploração do trabalho.

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2 Respostas

  1. Só meu..

  2. irei fazer um curso de etnodesenvolvimento achei importantissimo esse texto, pois é completo

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