Textos

Etnodesenvolvimento: a construção do conceito na perspectiva de resistência étnica.

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I CONFERÊNCIA NACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA DA CULTURA. Com Participação de 500 pessoas das 27 Unidades Federativas.
O objetivo foi promover a discussão e proposição de Políticas Públicas, à luz de práticas da Economia da Cultura e Economia Solidária, a Prefeitura do Município de Osasco, através da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão – Programa de Economia Popular e Solidária, Ministério da Cultura, Ministério do Trabalho e Emprego e o GT de Economia da Cultura do FPES e FPdC,realizarão nos dias 24 e 25 de novembro de 2010 a I CONFERÊNCIA NACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA DA CULTURA

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Estado moderno X Sociedade

Racismo e liberalismo as duas faces da mesma moeda historicamente: a transição ao socialismo democrático, humanizado e igualitário

Ao longo da história das lutas cotidianas pela autodeterminação dos povos e contra o racismo contemporâneo excludente que instrumentalizaram estruturas que hoje refletem as sociedades humanas, suas lutas e correlações de forças hegemônicas expressam-se no “Estado Moderno”de direito. O processo econômico e hegemônico conservador ocidental eurocentrista impediu neste período a autodeterminação dos povos negros, mercantilizando a vida, através da servidão, escravidão e assalariamento em detrimento da sua autogestão, bens comuns, gestão comunitária e sua reciprocidade. Assim como o direito de produzir e viver em cooperação de maneira sustentada.

Estamos vivendo uma crise civilizacional no mundo e no Brasil que pedagogica, cultural e economicamente expressa as várias formas de mudanças contemporâneas vividas na sociedade. No plano político pedagógico dessas varias mudanças e crise estamos vivendo num mundo de incertezas que ideologicamente o estilo de vida cínico ocidental social político e econômico mercantilista enfrenta-se com um final de ciclo histórico ideológico e o principio de outro e estes ajustamentos nunca são pacíficos, ex: as catástrofes ambientais que põem em risco a vida humana e o ecossistema no planeta, as restrições econômicas impostas à Estados nacionais ferindo sua autodeterminação.

A “democracia racial,” e a ideologia do branqueamento e da miscigenação na formação cultural das economias dos Estados Nacionais e das “sociedades modernas ocidentais “ são esteticamente falácias cínicas e fetichistas de possibilidades de bem viver social e econômico e político, que tentam ocultar o racismo. Os índices econômicos e as representações sociais negras nos poderes de Estado são provas que contrariam e desmascaram estes aspectos, (IPEA,IBGE,IDH,DIEESE/PED, Poder Executivo,legislativo e Judiciário).

A luta política do povo negro encontram-se diretamente relacionado ao tema desta realidade, centralmente, pode se dizer isto, porque sua trajetória histórica está permeada pela luta de sobrevivência dos descendentes dos povos africanos na diáspora, sendo sua razão social e política.

Neste sentido, é necessário revisitar a história sob um prisma do mundo do trabalho, da ecologia, do desenvolvimento sustentável e da igualdade dos direitos, enquanto constitucionalidade e de fato, como estratégia. Em consonância com tais aspectos, propor e avançar nas conquistas suficientes à transformação necessária, emancipatória, libertária e humanizadora pelo conhecimento e reparação das dignidades aviltadas.

O protagonismo e renascimento cosmológico de identidade negra contemporânea, combatendo o racismo e lutando pela igualdade racial, na diáspora, é fruto das alianças dos povos negros. A recomposição do seu yle-aye-axes no mundo, organizados em instituições da contemporânea sociedade ocidental, quilombos e terreiros, sincreticamente nas irmandades do rosário, frente negra brasileira, o (TEM) Teatro experimental do negro, rearticulando-se e atualizando a luta social negra nos anos 70 em torno de uma ação racista em São Paulo, que provocou prisões e assassinatos de jovens negros, inaugurando o genocídio dissimulado moderno do Estado, iniciado no período de expansão da ditadura militar, que dominou o país por 30 anos, perdurando o genocídio até hoje.

É com base nesta concepção, que se afirma o protagonismo e tradição negra de participação que organizadamente participa do processo de redemocratização do Brasil, constituindo núcleos em todo o território nacional com base em princípios de autonomia, independência e resgate dos marcos indetitários e civilizatórios fundantes das nações africanas e sua reelaboração na diáspora, questionando o 13 de maio, denunciando a ideologia do em-branquecimento, o genocídio do povo negro, o mito da democracia racial, a violência policial contra os negros, incorporando o 20 de novembro (zumbi vive) a partir do grupo palmares do RS, a resistência histórica do povo negro, simbolizada por Zumbi dos Palmares, a participação política das mulheres negras, o movimento quilombola, o respeito e a importância das religiões da matriz africana em sua perspectiva didático pedagógica, filosófica e política de organização social.

Em 1998, ao completar 20 anos desta construção, o balanço das lutas e conquistas aponta no debate acumulado a reafirmação de princípios da independência e autonomia analisando o contexto histórico e a realidade do povo negro na diáspora e sua participação na construção e produção da riqueza sócio culturais e materiais, ao mesmo tempo que permanece nas franjas da periferia capitalista. Os limites integracionistas das propostas dos direitos civis norte americanos são insuficientes na luta contra o racismo, contraponde-se, a nossa proposta deve ser de campanha permanente por reparações.

A partir dos anos 90, o tricentenário de Zumbi e a luta dos quilombos no ESTADO pela terra, integra e amplia o debate, atualiza a importância não só do espaço físico, mas reedita a cosmo-visão africana de relação com o ambiente físico, geográfico, histórico e sócio cultural que a terra significa, a reterritorialização estética do estilo de vida da diáspora negra, plena e descolonizada.

Na entrada do século XXI, no FSM são denunciados os interesses escusos dos grupos econômicos e Estados nacionais internacionais em detrimento das condições de vida das populações negras quilombolas rurais a partir do problema da Base de Alcântara no estado do Maranhão. Em Durban na conferencia internacional da África do Sul houve a criminalização do crime de lesa- humanidade impetrado aos povos africanos entre outros praticados pelos colonizadores do chamado ‘Mundo Civilizado.”Nos 10 anos do FSM/RS a oficina de organização econômica na economia solidaria e etnodesenvolvimento como concepção e modo de organização para o desenvolvimento sustentado.

Estamos por nossa conta. Entramos num novo século, no entanto seus enunciados de avanço do processo do capitalismo da pós modernidade é excludente e para nós a sua dinâmica de exclusão e desigualdades não tem novidades. Estamos atentos a realidade e compreendendo o papel a ser desempenhado, dessa forma, damos continuidade ao combate ao racismo e as desigualdades conseqüentes, direcionando nossas ações para todos os setores sociais negros, a exemplo do trabalho de formação e organização da juventude negra, do hip-hop, das questões da mulher negra, da intolerância religiosa, assentado em seus princípios fundantes.

Ao se completarem 30 anos de luta contemporânea do nosso yle-aye e no Brasil, com ampla e significativa participação no interior desta sociedade abrangente, desde a cosmologia à academia e dos militantes orgânico aos quilombos, organiza-se e ressignifica no conceito do etnodesenvolvimento, promovendo o esclarecimento sobre o papel do desenvolvimento nas vidas das sociedades humanas, o protagonismo e a autogestão, autodeterminação, autoconceituação dos povos negros nos seus espaços de organização nesta sociedade que passa por um processo de sócio-metabolismo do capital.

Neste sentido, ressaltamos a relevância destes fatos, merecendo um olhar panorâmico, dialético não linear, tendo em vista a expressão dinâmica histórica da vida humana.
Mas ainda uma vez aprendida, a comprenção de transitoriedade que representa o momento atual. Transitoriedade em um mundo que se movimenta a partir da racionalidade ocidental e experimenta o acirramento da crise do capital, da exclusão e exploração. Para os descendentes dos povos africanos na diáspora, as mudanças em curso e as contradições decorrentes, propõe a busca do equilíbrio sob o prisma de uma sociedade socialista e igualitária, conforme propõe a dialógica contida no processo didático pedagógico dos ilês/axés/terreiros nos quais a ética da vida plena e humanizada compõe a base da economia e do desenvolvimento. Solidariedade como principio básico, controle social, acesso ao conhecimento enquanto direito, distribuição participativa dos bens materiais, sociais e culturais, sem privilégios por quem os produz.

Considerando estes pressupostos descritos e objetivando consolidar a transição em curso rumo à construção de uma sociedade socialista, democrática, humanizada e igualitária, propomos as resoluções que se seguem:

1. promover e democratizar o acesso aos direitos sociais, políticos econômicos institucionalizados pelo Estado Brasileiro de acordo com as realidades e necessidades especificas apontadas pelas pesquisas participativas;
2. organizar e estruturar os espaços de formação básica e educação fundamental de forma a permitir a educação formal às populações negras urbanas e rurais quilombolas e comunidades tradicionais orientadas pela lei 10.639/03;
3. possibilitar e implementar a infra estrutura necessária e de assistência técnica para a formação e qualificação em consonância com a concepção de mundo e respeitando e garantindo a diversidade sócio-cultural das comunidades negras urbanas e rurais quilombolas e tradicionais;
4. implementar políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento e transferência de tecnologias tanto nos espaços urbanos quanto nas comunidades negras urbanas e rurais quilombolas e tradicionais, levando em consideração o legado ancestral;
5. propor e implementar políticas públicas de acesso a serviços de finanças e de crédito promovendo nas cadeias produtivas, arranjos produtivos e consumo consciente entre pro-sumidores e produtores;
6. ampliar e democratizar os benefícios legais previstos na lei nº 9.138/1995 que dispõe sobre o crédito rural e autoriza a equalização de encargos financeiros;
7. instituir a partir de conferência a realização periódica de seminários temáticos de etnodesenvolvimento e economia solidária nos três entes da Federação (União, Estados e Municípios), possibilitando o esclarecimento do papel do desenvolvimento econômico nas sociedades humanas e da necessidade do protagonismo e a participação efetiva das comunidades quilombolas e tradicionais, rurais e urbanas, sob orientação das lideranças por elas designadas;
8. propor junto ao Poder Público estrutura institucional adequada através de projetos de lei que contemplem a promoção políticas publicas de promoção da igualdade racial, do Etnodesenvolvimento e sua importância no desenvolvimento econômico com controle social e financiamento público/fundo econômico e social, às cadeias produtivas dos empreendimentos, produtos e serviços, a partir dos fundos de financiamento da Economia Solidária no Estado;
9. incentivar a criação de redes solidárias de etnodesenvolvimento e economia solidária que aponte para a estruturação de cadeias produtivas com metodologias participativas de produção e democratização do conhecimento e da tecnologia visando a viabilidade econômica de desenvolvimento sustentado;
10. incentivar o desenvolvimento local das comunidades tradicionais por meio do fomento a bancos comunitários, compras públicas (merenda escolar) e linhas de créditos como PRONAF, BNDS e outros.
11. pelo Direito de Produzir e Viver em Cooperação de Maneira Sustentável
12. manutenção e transformação em lei a ADIM 4887 que regulamenta o artigo 68 das disposições constitucionais transitórias da constituição de 1988 e da convenção 168 da OIT que estabelece e dá providencias aos direitos dos quilombolas sobre suas terras estabelecendo o etnodesenvolvimento como elemento do desenvolvimento das comunidades negras rurais quilombolas;
Apoio ao projeto de iniciativa popular que institui a campanha de criação do Marco legal de Economia Solidária.

Jorge Nascimento- SENAES/MTE
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A CECDR/CUT/RS E O 12º CECUT/RS

ABERTURA

O texto ora proposto se propõe a nortear e defender a futura Secretaria de Combate ao Racismo da CUT/RS. Nossa perspectiva é continuar a contribuir na formulação de uma concepção e estratégia de luta anti-racismo como parte de um novo projeto socialista, democrático e multirracial para todos os trabalhadores brasileiros.

Temos como marcos históricos, nossas ações desde os anos 30, a partir da Frente Negra Brasileira e, mesmo dentro do período do regime militar, o movimento negro colocou com mais força crítica à abordagem universalista da questão racial. Diversas iniciativas, em diferentes partes do país constituíram as raízes de um movimento massivo, culminando na consolidação de significativos marcos históricos nacionais na luta contra o racismo: a criação do 20 de novembro como dia nacional da Consciência Negra, a Marcha Zumbi dos Palmares Contra o Racismo e Pela Vida (1995), a mobilização preparatória à Conferência Mundial da ONU contra a Discriminação, o Racismo, a Xenofobia e as todas as formas de Intolerância Correlatas (2001) e a introdução das cotas raciais em universidades do Rio de janeiro e Brasília (2003). Estes marcos produziram uma grande vitória ideológica do movimento negro contra o racismo.

É a partir dessas referências, entre outras que iniciamos a discussão de que Secretaria de Combate ao Racismo queremos para a Central Única dos Trabalhadores. São homens e mulheres de todo o país, negros e negras, aguardando que, este instrumento de luta possa reforçar as fileiras do combate a exclusão social e econômica de norte a sul do Brasil.

O CENÁRIO INTERNACIONAL PÓS-DURBAN: A RESISTÊNCIA NEGRA E A LUTA POR REPARAÇÕES NO MUNDO
A realização da III Conferência Contra o Racismo em Durban – África do Sul abriu um novo período na conjuntura internacional. Os movimentos negros, indígenas e de palestinos se esforçaram para impor na agenda da ONU o programa das reparações, amplamente discutido por estes setores no processo que antecedeu a realização da Conferência. Afora a positiva discussão sobre o racismo gerada pela exposição na mídia dessa temática pouco visível, a conferência, em si, teve um resultado controvertido. Grandes questões, como a reparação racial, a condenação do sionismo (ideologia anti-árabe do Estado de Israel), os direitos dos indígenas e a dignidade dos homossexuais simplesmente não foram admitidas para a discussão de um estatuto de garantias. Norte americanos e judeus vetaram a discussão do sionismo. Os países ricos se negaram a caracterizar os fatos do passado (tráfico negreiro, a escravidão e o colonialismo) como crimes de lesa-humanidade, com medidas de reparações ético-morais, políticas e econômicas. Os países árabes vetaram a discussão sobre a homossexualidade, considerada um desvio de natureza. A repressão ao “homossexualismo” não foi considerada discriminação. E as comunidades indígenas não conquistaram juridicamente a emancipação da tutela frente ao Estado, porque a Inglaterra e países europeus não admitiram que sejam considerados “povos indígenas”. Temiam que isso os motivassem a reivindicar autonomia ou independência de territórios.
Terminada a conferência, sobrevieram dois dias depois (11 de setembro 2001) ataques às torres gêmeas do World Trade Center, alterando os rumos dos encaminhamentos da conferencia. Alterando o próprio rumo das discussões sobre racismo e intolerância. Mas ressaltamos a importância da condenação do trafico de escravo e da escravidão como crimes com efeitos jurídicos do presente para o futuro. Tem-se hoje um instrumento jurídico que pretendemos seja adotado nas constituições nacionais, em especial a brasileira.
Atualmente, está em curso um processo de avaliação sobre os resultados produzidos nos países pelo Plano de Ação de Durban. Na comunidade internacional, há uma forte expectativa quanto àquilo que o Brasil terá produzido. A ONU convocou nova conferência para reavaliar o Plano de Ação. Teme-se um retrocesso naquilo que foi produzido e ainda timidamente implantado internacionalmente. A SEPPIR iniciou conversas, mas o grau de mobilização e de unificação politicamente está muito distante daquela realizada no processo preparatório de Durban, 2001. E também aquém da real envergadura política que o Brasil precisa ter nesse processo, envolvendo diferentes esferas do governo federal e o movimento negro. Há que produzirmos nossa avaliação para intervir nesse processo.

RELAÇÃO ENTRE BRASIL E ÁFRICA
O continente africano atualmente, está enfraquecido politicamente e quebrado em pedaços; fragmentado em 53 países, sucumbidos em extrema pobreza, que em suas relações internacionais encontra-se atado pelos interesses econômicos mundiais, vitimada por vários golpes militares, assaltos, tráfico de escravos e as tomadas territoriais. A maioria das lideranças que chegaram ao poder, após os processos de independência de 1957, se fizeram sob a lógica neo-colonialista, tornado-se corruptas e dominadas às potências hegemônicas e imperialistas (EUA, Europa, Japão e agora a China). A elite africana sustentou esses interesses impondo através de corrupção, de forma sanguinária e despótica. Assassinou e golpeou dezenas de lideranças nacionalistas e pan-africanistas que sonharam com uma África federativa: governo central, parlamento, forças armadas e nacionalidade unificados. Em conseqüência, produziu-se o contexto de uma África marcada por uma sociedade civil desarticulada, reprimida e com pouco poder de pressão sobre seus governos; um contexto internacional de supremacia das potências imperialistas que exploram as riquezas minerais e materiais. Nesse contexto, a indústria multinacional brasileira volta seus interesses em busca de matérias-primas e mercados da África, porém marcados pela relação assimétrica, o desrespeito e o desprezo com os africanos ainda vistos como “Continente Negro” provedor de escravos no passado e a ser explorado no presente. Essa perspectiva pode levar o Brasil a estabelecer relações neo-imperialistas com a África, em razão do enorme peso econômico, tecnológico e político da nona economia mundial em ascensão.
Sob o governo Lula, a diplomacia brasileira priorizou as relações comerciais e políticas com a África. O Presidente Lula estabeleceu uma simpatia positiva com os africanos e intensifica os laços culturais. No entanto, nossa diplomacia é fortemente influenciada pelos interesses econômicos das multinacionais. Precisamos equilibrar essa política com a intervenção da sociedade civil, do movimento negro e dos partidos de esquerda. Colocar em discussão a natureza cooperativa e solidária do Brasil com a África, no sentido de uma aliança estratégica com o continente africano. Para isso, o Brasil precisa atuar de modo a contribuir para que o continente africano supere seus problemas crônicos por meio de relações comerciais simétricas, da influência política de apoio a uma África federalizada e o apoio da África à solução do problema sócio-racial brasileiro. O objetivo deverá ser a elaboração de um projeto de democratização internacional e nacional que estabilize a ordem internacional, construa um mundo multipolar, multirracial e pacificado.

AVANÇOS E PERSPECTIOVAS NACIONAIS
A disputa ideológica e hegemônica dos trabalhadores contra o capital tem nos trazido inúmeras vitórias, mas também inúmeras derrotas. Neste sentido nossa colaboração para este Congresso da Central Única dos Trabalhadores também perpassa pela construção de um Brasil que inclua esta população.
Existe em construção, um novo patamar de participação e organização da população negra, mas cabe ao Movimento Negro e suas instituições parceiras, dar-lhe perspectiva de aprofundamento, de politização, de continuidade, de organização e consciência, oferecendo propostas políticas, baseadas em métodos e analises cientificas da realidade global, nacional, social e econômicas com recorte racial.
A luta pelas Reparações histórico-Humanitárias em decorrência do escravismo e do racismo, considerada por vários Fóruns internacionais como CRIME DE LEZA HUMANIDADE e o RACISMO como EFEITO CONTINUADO sobre as populações vitimas daqueles crimes. É uma destas bandeiras-propostas, assim como o debate em torno da Construção de um Projeto Político do Povo Negro Para o Brasil, são fundamentais para conferir e cobrar legitimidade e a justeza às instituições do estado e da sociedade brasileira que não reconhecem, não consideram, não incluem a maioria do povo, os negros, e também não negros, no campo da justiça, da cidadania, da participação econômica e educacional, não valorizando as suas contribuições culturais e históricas. Não investindo na vida e na sobrevivência do povo, com dignidade, não beneficiando a nação com os resultados da produção e acumulação material econômica, fruto do desenvolvimento e do progresso do pais.
Existem dois brasis, o Brasil primeiro mundo e Branco. Com alta concentração de renda e de bens e conforto material, 44º colocado no ranking do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, apurado por instituições internacionais e o Brasil Negro. Ocupando o 142º. Posto, no mesmo ranking, igualando-nos as populações mais pobres e exploradas no mundo, na África, na Ásia e na América Latina.
Os níveis de concentração de bens e renda, os autos salários contrapostos ao salário mínimo e a ausência de qualquer renda em certos seguimentos da população, são o reflexo de uma cultura política e econômica que excluiu deliberadamente os negros e os indígenas, da participação no produto econômico-social brasileiro, destinado exclusivamente aos descendentes europeus.
Galgados neste projeto ideológico, construíram seu arcabouço jurídico, baseado num falso discurso de democracia racial, de modo a legitimar as conquistas e enriquecimento de um dos lados, de um dos povos, e justificar a pobreza e a exclusão da maioria, através de valores (judaico-cristão), encomendados a um sem número de religiões, que ora, pregam o conformismo e o determinismo supremo, ora apostam no discurso da realização pessoal e do sucesso econômico para os membros de seus cultos, como os únicos, os escolhidos por Deus, para gozar dos privilégios materiais conferido pelo poder divino, seara, onde negros só participam, se renegarem e se repudiarem sua cultura, suas tradições, sua ancestralidade, e seus costumes.
Temos também os defensores da ideologia da democracia racial, e do projeto das classes dominantes racistas e contra quaisquer mudanças no Status Quo brasileiro, os que apostam no discurso de responsabilizar os negros pela situação na qual se encontram, negando a sua própria responsabilidade e nos propondo o paraíso em algumas décadas, se nos comportarmos segundo suas lógicas e leis, através promessas de políticas públicas universalistas jamais praticadas pelas elites econômicas e políticas em cinco séculos de existência do Brasil.
Eles defendem e justificam seus altos níveis de existência e conforto econômico. O que não nos dizem, é que isto só ocorre porque submetem os negros, a um massacre e as mínimas condições de existência. Suas riquezas são sustentadas pela miséria da maioria negra de forma seletiva e há séculos.
São estas posturas que legitimam propostas de salários de R$ 24.500,00 para parlamentares e de reajuste irrisório do salário Mínimo e para os aposentados. Aliás, a Concentração de renda, e as políticas salariais, no Brasil, caminham na contramão dos vencimentos de parlamentares e profissionais do mundo inteiro, onde a diferença entre o menor e maior salário das instituições publicas e privadas raramente superam 15 vezes. No caso brasileiro só para ilustrar a proposta dos congressistas é 65 vezes maior a proposta de salário mínimo.
É assim que as elites se criam, e se abastam, robustecendo suas instituições e “funcionários” de apoio, no executivo, no Legislativo e no Judiciário, à custa do trabalho e dos impostos, pagos por todos, principalmente os mais pobres.
É preciso inverter esta lógica maligna e mesquinha, sem o que jamais teremos uma nação justa e desenvolvida para beneficio de todos, da humanidade e do planeta. Hoje, as elites reproduzem um modelo que se sustenta em ilhas de riquezas, num oceano de pobreza. Na década de 70 os negros eram reserva de mão de obra com empregos e ocupações eventuais dependendo do humor dos dirigentes do país, dos ventos e da economia.
Podemos dizer que avanços houveram, com a criação da SEPPIR, com o lançamento do Programa Nacional de combate a Anemia Falciforme, com a política de demarcação de terras quilombolas, com o avanço da criação da política de cotas em inúmeras universidades públicas brasileiras, o PROUNI, e outras ações pontuais a nível de Estados e Municípios.
Mas isso é só a ponta do iceberg, principalmente pelo fato que uma política de emprego voltada à população negra inexiste. Sem contar com o fato de que a juventude negra tem sido exterminada pelo Estado brasileiro, ou pela PM ou pelo tráfico. Neste sentido é que acreditamos que uma política mais focada as lutas sociais do povo negro podem e devem sair da CUT para nortear um outro projeto de Brasil para os negros deste país.

POLÍTICA DE COMBATE AO RACISMO DA CUT
A Central Única dos Trabalhadores – CUT, tem avançado muito timidamente no encaminhamento da política de combate ao racismo no mercado de trabalho junto a seus sindicatos filiados. Neste sentido, entendemos que a Central Única dos Trabalhadores não pode se furtar de discutir, com mais enfase a sua política de Combate ao Racismo.
Com a decisão da última Plenária Nacional da CUT, que garantiu a criação, para o próximo CONCUT, da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo, um passo importantíssimo foi dado na defesa da população afrodescendete de nosso Estado.
Vários são os documentos dos institutos oficiais que mostram o alto patamar de racismo institucionalizado no país. Os Relatórios Periódicos Relativo à Convenção Internacional Sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, enviados pelo Brasil às Nações Unidas, reconhecem a existência de práticas racialmente discriminatórias que incidem nas relações trabalhistas, nas taxas de emprego e desemprego, no sistema educacional, nas taxas de analfabetismo, nos índices de mortalidade infantil e expectativa de vida, nas decisões do Judiciário, etc.
Além disso, a Conferência Mundial Contra o Racismo, ocorrida em Durban, em setembro de 2001, abriu algumas possibilidades no campo do direito. Novos Tratados Internacionais tem surgido a partir das articulações do Movimento Social Negro. Para os afro-descendentes e indígenas o reconhecimento por 173 países de que “a escravidão é um crime contra a humanidade e que o tráfico transatlântico de escravos trouxe conseqüências nefastas aos povos indígenas e negros, e que na raiz da pobreza, do racismo, da xenofobia, da intolerância e da marginalização social, está o processo escravagista”, dá margem a lutas, tanto no campo jurídico quanto no campo político, na busca de reparações ao povo negro.
A Central, tal qual o Movimento Negro brasileiro, deve se inserir, publicamente sua posição favorável a política de Cotas, encaminhando ao Congresso Nacional e ao Senado documento referendando os projetos que que lá tramitam.
A defesa pela aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso Nacional a mais de dez anos, é outra açõa que a CUT deve defender. Hoje o Estatuto está pronto para ser votado, mas o loby da imprensa e dos setores conservadores da sociedade contra a norma emperram seu andamento. Ou seja, a CUT tem ficado ao largo desta discussão e não tem se inserido, efetivamente nesta disputa.
Da mesma forma, a implementação efetiva da Lei 10.639/03, hoje com quase seis anos, sofre do preconceito e racismo estrutural da sociedade brasileira, pois nem mesmo os sindicatos de professores do país tem feito um empenho mais acirrado em defesa da aplicação da Lei que modifica a LDB no seu atigo 26.
A titulação de terras quilombolas é outro item que sofre inúmeras presões dos setores latifundiários, inclusive com uma ADIN contra o decreto presidencial que regulamenta Constituição Federal de 88 quanto a posse dos quilombolas em suas terras seculares. A pressão dos segmentos rulalistas no Congresso precisa de um contraponto da Central.
As representações de classe, através dos sindicatos filiados e da Central Única dos Trabalhadores, tem papel fundamental neste processo de discussão.
Como exemplo podemos citar, na área dos trabalhaores da saúde, um indicativo da central, no sentido de orientar seus filiados, nas negocições coletivas, uma cota mínima de negros e negras, usando os índices do IBGE, por exemplo, quando da contratação de mão de obra, contemplando assim esta população excluída.
A partir destas considerações podemos concluir que, já não basta mais à CUT ter alguns poucos militantes nessa temática, é preciso que a Central amplie o debate, e para isso precisa investir na formação e capacitação de novos dirigentes sindicais, de modo que esse tema seja levado para dentro de cada sindicato e para todos os locais de trabalho.
Nossas propostas para a nova Sewcretaria de Combte ao Racismo da CUT:
1- Priorizar no meio sindical a conscientização e discussão da igualdade de oportunidade no emprego, com aplicação da Convenção 111 da OIT e inserção de cláusulas de “igualdade de oportunidades” nos acordos coletivos de trabalho;
2 – A CUT retomar a Campanha Nacional articulada, pela implementação da Convenção 111 da OIT, inclusive com reprodução e distribuição da Catilha da Convenção 111 lançada no Forum Social Mundial de Belém do Pará em janeiro de 2009.
3 – Que a CUT a adote políticas de promoção da igualdade na área do funcionalismo público, com implementação de políticas de indução e de estímulo à promoção da igualdade de oportunidades e tratamento. Da mesma forma no setor privado.
4 – Inserir, na metodologia de pesquisas realizadas pelo movimento sindical cutista o quesito raça/cor.
5 – Realizar em caráter permanente atividades de formação que abordem a temática racial, em transversalidade com as temáticas de gênero, orientação sexual e linguagem, visando a eliminação de todas as formas de discriminação;
6 – Que a CUT, através da futura Secretaria, se articule com outras entidades nacionais e internacionais e encaminhe os resultados da III Conferência Mundial da ONU Contra o Racismo, realizada em setembro de 2001, em Durban, na África do SUL, bem como encaminhe aos sindicatos e a sua direção as propostas brasileiras para a revisão e avalizaçao de Durban, que acontecerá em Genebra, em especial, os encaminhamentos e debates de propostas relacionadas ao mundo do trabalho;
7 – A CUT deve arcar com o custeio de participação dos membros da Secretaria Nacional e/ou de seu coletivo Anti-Racista, em reuniões e atividades. Apoiamos as Resoluções do VI ENSAR, e as ações advindas da atual Comissão Estadual de Combate ao Racismo da CUT/RS – CECDR/CUT/RS.
8 – A Central Única dos Trabalhadores, como instância nacional de encaminhamento das demandas dos trabalhadores deve incorporar, de imediato, em seu calendário de lutas, o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra – Aniversário da Morte de Zumbi dos Palmares, e lutar para torná-lo Feriado Nacional.
9 – Incorporar homenagem a João Cândido, no 22 de novembro, o marinheiro negro líder da Revolta da Chibata, símbolo da unidade entre raça e classe na luta contra o racismo.
10 – A implementação dos coletivos de raça e gênero em todos os sindicatos cutistas.
11 – Elaborar uma cartilha explicativa para ser distribuída e trabalhada, principalmente nas escolas, buscando parcerias, para, juntamente com o movimento negro, envolver a sociedade na discussão sobre ações afirmativas e reparações precedendo de um breve histórico sobre a luta contra o preconceito racial;
12 – Que seja encaminhado pela CUT, proposta de inclusão do debate sobre ações afirmativas nos cursos de formação das seguranças públicas, privadas e institucionais.
13 – Que a política de reparações e as ações afirmativas sejam um elemento tático para a construção de uma nova sociedade.
14 – Interceder junto ao Ministério Público Federal e Estadual para que exijam o cumprimento da Lei 10.639/03, bem como a central venha a inserir no programa de combate a discriminação racial no mercado de trabalho, instituído pelo MPF.
15 – Que a CUT, junto ao seu coletivo de juventude faço denuncia pública e campanha nacional contra o extermínio da juventude negra, hoje a mercê da PM e do tráfico de drogas.
16 – Que a CUT se insira no seu calendário de atividades do dia 21 de janeiro, Dia Nacional contra a Intolerância Religiosa contra as religiões de Matriz Africana.
17 – Participação da CUT nacional e nos estados, do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil – CONNEB, tendo em vista ter assento na Coordenação Política Nacional do referido Congresso.
18 – Que a Cut faça a defesa pública do Decreto 4887/03, que trata da titulação de terras Quilombolas, e que esta sendo julgado pelo STF, por pressão da bancada ruralista do Congresso Nacional;
19 – Que os representantes sindicais participem da organização da II CONAPPIR, inclusive participando da tirada de delegados que possam defender as políticas de mercado de trabalho encaminhadas pela CUT;
20 – Que os sindicatos ligados a área de educação e que tenham a discussão da educação anti-racista participem da CONAE 2010, defendo as ações de implementação da lei 10.639/03;
21 – Que a CUT, em todo o território brasileiro inicie campanha pública pela aprovação IMEDIATA do Estatuto da Igualdade Racial.

Assinam essa Tese os representantes da
Comissão de Combate a Discriminação Racial
Central Única dos Trabalhadores – RS

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Reflexões, práxis e libertação do conhecimento negro.

A terra é um espaço gerador de sociabilidade, ora logo temos então um locus de preservação cultural que ao mesmo tempo é uma reconstrução cultural. De acordo com o professor Martin DreYer vamos ver que em 1500 o processo de formação Nacional se dará pelo degredo e dispersão étnica. Isso acarretará mais tarde em um problema de mito fundante que por relevância explica os problemas sociais que desdobram em nosso cotidiano, isto é, desigualdades sociais e má distribuição de renda. O problema do mito fundante se caracterizou pelo eterno retorno ao lugar de origem. Na exemplificação deste conceito é possível dizer que: o grupo étnico de Portugal tinha um intenso desejo de voltar para a metrópole; já os judeus por sua vez, sonhavam em retornar para a terra santa; os africanos sonhavam com o reencontro da mãe África; e por último temos o índio que vai perdendo o seu território para o povo lusitano. A devida exemplificação nos enseja um dito recalque cultural em todos os étnicos. Dessa forma, a genealogia de nossa construção nacional vai se constituindo através de grupos étnicos. No período de 1500 ela é chefiada pelos portugueses e mais tarde reforçada com a imigração de outras etnias de origem européia, que também denotam o sonho de retorno para a terra de origem.
“O ano de 1850 não assinalou no Brasil apenas a metade do século. Foi também o ano da extinção do tráfico de escravos, da lei de Terras, da centralização da Guarda Nacional e da aprovação do primeiro Código Comercial. O código Comercial trazia inovações e ao mesmo tempo integrava os textos dispersos que vinham do período colonial. Entre outros pontos, definiu os tipos de companhias que poderiam ser organizadas no país e regulou suas operações. Assim como ocorreu a Lei de Terras, tinha como ponto de referência a extinção do tráfico”. (FAUSTO, 2002,p:108)
O negro é liberto para mais tarde ser preso pelo código penal. Além disso, este mesmo não tem direito a terra e a educação. O 13 de Maio de 1888 significou o segundo momento em que negros e negras são atingidos pela violência da reestruturação do mundo do trabalho, no caso do Brasil. Se a partir dos séc XV e XVI são empregados como mão de obra escravizada, com a Lei Áurea experimentam as conseqüências da crise no mercado de trabalho. Conforme Hebe Castro: “Costuma-se alegar que aos libertos nada foi concedido além da liberdade. Nem terras, nem instrução, nem qualquer reparação ou compensação pelos anos de cativeiro. Eles foram entrgues à própria sorte, o que podia ser especialmente dramático para idosos e órfãos”( CASTRO:378. 2006). Em relação às mulheres negras, no séc. XVIII, as quais seguindo tradições culturais negro-africanas da costa ocidental da África, onde já praticavam o comércio, tiveram controladas quando não proibidas suas atividades., entre outras formas de violência.
Com relação a educação se pode citar um pequeno exemplo no período em que O Brasil,Colônia, Império e Republica, teve no aspecto legal, uma postura ativa e permissiva diante da discriminação e do racismo que atinge a população afro-descendente brasileira até hoje. O Decreto 1.331, de 17de fevereiro de 1854, estabelecia que nas escolas públicas do pais não seria admitidos escravos, e a previsão de instrução para adultos negros de pendia da disponibilidade de professores. O Decreto 7.031-A, de 6 de setembro de 1878, estabelecia que os negros só podiam estudar no período noturno e diversas estratégias foram montadas no sentido de impedir o acesso pleno desta população aos bancos escolares. No Rio Grande do Sul província: “LEI Nº 14 DE DEZEMBRO DE 1837. Da Instrução primária Capítulo I – artigo 3º.- São proibidas de freqüentar as Escolas públicas: § 2º – Os escravos e pretos ainda que sejam livres ou Libertos”. (BARBOSA,1987, P: 15)
Muitos cidadãos brasileiros negam a existência da discriminação no período colonial, boa maioria até pede documentação do registro de tal ocorrido em nossa História. Não é à toa que o racismo no Brasil seja uma emboscada velada. Outras leis versando o mesmo tipo de atitude foram escritas. Basta pesquisar a fundo as papeladas em determinados setores públicos de todos os estados do país.
“O tráfico negreiro foi sem dúvida uma das maiores tragédias da história da humanidade. Milhares de seres humanos, homens e mulheres em sua maioria ainda na idade reprodutiva, foram arrancados de suas raízes e deportados para as Américas e para a Ásia. Além de um triste balanço das milhares de mortes ocorridas entre as localidades de captura na terra africana, houve também uma desestruturação das instituições culturais e das políticas tradicionais.
Em todos os países da diáspora, os descendente dos africanos escravizados continuam sendo ainda as grandes vítimas dos preconceitos e discriminações, alimentados por uma ideologia racista que embora hoje não exista oficialmente e institucionalmente em nenhum país do mundo, sendo a República Sul-Africana a última a aboli-la, existe de fato no tecido social e na estrutura mental de todas as sociedades contemporâneas. Desde a sua saída forçada da África nos fins do século XV e início do XVI, o negro já havia…começado afazer ouvir seu protesto. O número de levantes, revoltas, fugas individuais e coletivas, suicídios, genocídios, abortos voluntários das escravas…foram documentados para ilustrar a importância da defesa da liberdade enquanto dado importante da condição humana”. (MUNANGA, 2004, p:7-8)
“A identidade é uma realidade sempre presente em todas as sociedades humanas. Qualquer grupo humano, através do seu sistema axiológico sempre selecionou alguns aspectos pertinentes de sua cultura para definir-se em contraposição ao alheio. A definição de si (autodeterminação) e a definição dos outros (identidade atribuída) têm funções conhecidas: a defesa da unidade do grupo, a proteção do território contra inimigos externos, as manipulações ideológicas por interesses econômicos, políticos, psicológicos, etc”.(MUNANGA,1994:177-178)*
Dessa maneira, é comum e eficiente se descrever o conceito afro-descendente como o indivíduo que se recria através da metamorfose cultural ante as intempestivas investidas conjunturais do pensamento eurocêntrico, que se dirige aos diferentes espaços do mundo. O negro brasileiro, doravante, inicia o seu processo de filosofia hermética. A luta por “posição” é a lógica que justifica e rege os ideais, e firma categoricamente a concepção de identidade dentro da nação brasileira. Sociologicamente pode-se dizer que os afro-descententes reiniciaram o processo de civilização interrompido na África. Os negros se fazem presentes na luta de seu espaço transformando brandamente as relações do “Capital”.
O racismo é um produto vendido para as pessoas, além do mais ele é uma máscara de contaminação, pois envenena e ainda esconde a cara do ente contaminado que reproduz o crime sem entender o intuito do fabricante. O nosso país enfaticamente está impetrado de pessoas assim, que compram a ideologia do “vencerdor” sem o mínimo questionamento. Contudo, isto não provoca medo ao negros munidos de razão, porque estes acreditam numa revolução que será cultural. Hoje em dia o negro causa espanto e medo, tal espanto se dá pelo fato de que muitos se destacam nos mais variados campos, nunca dantes vistos, e o grande medo porque o mesmo começa a ler a informação fulcral: “a temática do direito”. No mais pode-se dizer realmente que a revolta dos Malês tem a sua nova reedição, porém sem derramamento de sangue e sem islamismo. Para aqueles que não notaram se é necessário frisar que o negro está mudando a concepção nas escolas, no congresso, e nos espaços de trabalho. O negro incluiu e está incluindo a sua história nos livros e currículos, nas mais variadas cátedras do país. O fenômeno é inexorável, o movimento é o propósito do negro, pois a cultura e o “modus operandi” do branco se transformam ante a reação do negro organizado. O “ato de ruptura” foi o momento de operacionalização da “real cultura negra”, jazendo assim os jocosos instrumentos de invisibilidade étnica, que por ventura dão espaço a outras culturas também sufocadas, no mesmo ínterim de tempo.
Outro conceito de orientação que o povo negro deve propagar aos demais é a de Territorialização, o mencionado axioma denota a missão máxima da ideologia do negro em terras brasileiras. Este ideal máximo serve para balizar o objetivo de concepção política do negro que se move para construir o pensar teórico e o modus operandi diário, guiando todos a um mesmo ideal unificante. “Territorialização” para o povo negro é a reinvenção do território africano no Brasil. Destarte o negro transpõe as suas crenças de maneira mais profunda, cruzando religião com filosofia ou então realocando-se em distintos locais do país com uma cultura diferenciada, instaurando desse jeito a formação de colônias negras que nunca foram notadas e vistas com a devida valorização para o desenvolvimento local. O termo proposto mostra que a concepção também pode ser territorializada desde que o indivíduo resignifique o seu pensar convergindo com os ideais afros.
Outro conceito a ser muito valorizado é o da “Cosmovisão de mundo africana” que sinaliza a proteção do espaço em que vivemos. O homem atual convive com a desarmonia, deteriorando o mundo no qual vivemos, através do capitalismo exacerbado. As águas do planeta são envenenadas, as árvores são derrubadas, o ar é carbonificado, gerando a todos o efeito estufa. Contudo, a “Cosmovisão africana” se pauta na resignificação dos atos propostos pelo capital eurocêntrico, que visa a invasão e o saque dos mais variados bens naturais, sem visar acordos ponderados.
A exemplo disso, como conseqüências das políticas públicas que se implementaram pelos diversos entes da federação, principalmente após a revisão constitucional de 1988, a comunidade quilombola rural se constituiu no principal referencial “prático-analítico” do etnodesenvolvimeto. O dito desenvolvimento salientou o fortalecimento e resgate da identidade étnica com potencialidade produtivas endógenas. A produtividade econômica e a produção quilombola se baseia na agricultura de subsistência e tem a família como unidade primária de produção e de consumo. Nesta construção as comunidades quilombolas apontam outros setores com potencialidade como o artesanato, a psicultura, a fruticultura e o turismo.
Outra característica do processo produtivo quilombola é a sua reprodução ancestral que tem o continente africano presente na sua história com as etnias banto e sudaneses. A exemplo disso, os descendentes dos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, oriundos do Golfo de Benin, têm como idéia a concepção da complementaridade da diferença, ou seja, todos os elementos que compõem a vida na terra, assim como no plano espiritual a interação e o equilíbrio que se fazem. A alteração disso é o enfraquecimento da energia vital. O resultado é a seca, a fome, a pobreza, até a morte, ilustrando assim a sagrada relação entre o povo negro e a natureza.
Ao parafrasearmos Marx devemos lembrar que uma determinada causa só deva ser amainada pelo povo que a vive. Contudo, entendemos assim que um indivíduo de origem afrodescendente deve assumir um compromisso cultural com a história dos primeiros africanos trazidos para o Brasil e principalmente com a resistência emblemática de Palmares. A ordem é “resistir” e fazer com que o país nos entenda e se aculture de fato com a real característica nacional, que sempre é posta de lado. Mudar é necessário, a nossa cultura vem sempre se adaptando ante aos impasses propostos, e hoje se deve bradar a cunha cravejada nos anais. Um novo processo se estrutura, os negros se eivam no ideal do “mudar para resistir”. O negro não deve se arvorar na cultura dos vinte por cento, porque isto é uma pequena flexibilização. A cota não deve ser ridicularizada, se é necessário muita seriedade. Os pensadores inteligentes sabem que a cota precisa ser assumida somente por negros afrodescendentes, isto é, pessoas oriundas de uma cultura negra de fato. A cota não deve ser desperdiçada com alguém que não vá dar retorno a comunidade negra. Um indivíduo filiado a um grupo ou a uma associação direta ou indiretamente vai trazer mudança e prosperidade coletiva. O negro de verdade vem de um berço cultural, ele não é um indivíduo solto e disperso. Os indivíduos da dispersão são aqueles que optam pela cidadania parda. Se denominar negro no momento de ganhar um posto público ou uma vaga universitária sem ter um passado de luta ou construção não deve ser aceito. A situação é uma reparação e ao mesmo tempo uma reposição feita pelo próprio militante ou indivíduo étnico de fato. No atual momento o negro vive um avanço histórico, pois a sua alma coletiva passa a escrever a Nova Ordem, através de um novo contorno.
Além disso, os negros devem otimizar o agir e o pensar das novas gerações, pois Educação e a escola de ciclo são mal empreendidas no país. É necessário rigor e disciplina nos estudos. A educação deve ser valorizada, pois a orientação massificante e neo-liberal nas escolas não se preocupa nem mesmo em fabricar pensadores do estilo burguês. A educação pública vive uma refluxo em função das políticas neoliberais na educação, porém a construção de um método mágico não existe, a realidade é que todos devem estudar com afinco, sem prestar atenção nas besteiras mágicas da “Mídia” que é o inimigo número um da educação pública que resta ao povo negro. As novas gerações devem se pautar por outras formas de pesquisa, que não a convencional. Por esse motivo se menciona que o-a professor-a não é nem deve ser encarado como o detentor do pleno conhecimento. Sua função precípua é de promotor-a da aprendizagem possibilitando acesso e apropriação do conhecimento o qual é patrimônio da humanidade.. Cada indivíduo constrói a sua própria “verdade” ou a sua própria “prisão”.
“O sistema educacional brasileiro é usado como aparelhamento de controle…de discriminação cultural. Em todos os níveis do ensino brasileiro-elementar, secundário, universitário-…constitui um ritual da formalidade e da ostentação da Europa, e mais recentemente, dos Estados Unidos…Quando há alguma referência ao africano ou negro, é no sentido do afastamento e da alienação da identidade negra…O modelo europeu ou norte-americano se repete , e as populações afro-brasileiras são tangidas para longe do chão universitário como gado leproso. Falar em identidade negra numa universidade do país é o mesmo que provocar todas as iras do inferno, e constitui um difícil desafio aos raros universitários afro-brasileiros” (NASCIMENTO,1978:95)*
Conforme o livro “Alternância e Desenvolvimento” os negros acreditam no campo transdiciplinar onde cada ser humano é único e tem de ter sua individualidade, as suas raízes, a sua cultura respeitada, sendo necessário um processo contínuo de ecoformação e autoformação, pois é no seu campo interior e exterior que o indivíduo enterra as suas raízes e é neles que este se alimenta para dar frutos. Portanto, cada campo é único, cada sujeito é único e pode produzir frutos únicos. A pedagogia da Alternância surge para respeitar e ajudar as diversidades, especialmente o povo negro. Este tem sido historicamente expropriado de suas matrizes culturais e identitárias em nome da racionalidade civilizatória.
Por fim , quando dizemos que a transdiciplinaridade fala em transcultura, transnação e transreligião e não se propõe em momento algum que se negue culturas , nações e religiões. Pelo contrário propõe que cada cultura, cada religião e nação mergulhem cada vez mais em si mesmas, com respeito pelas outras, mas preservando a sua identidade. Somente assim os princípios comuns emergirão e o verdadeiro diálogo se dará consubstanciado na práxis de alteridade do processo unitário de construção da educação emancipadora e do desenvolvimento, sócio, econômico, cultural e autogestionario.

LUIS FELIPE DA SILVA NASCIMENTO

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Prezadas e prezados Humanos,

Meu nome é Paulo Edison de Oliveira, ativista da economia solidária, cientista social por formação  e estudioso das questões raciais no Brasil.

Desde muito criança nunca compreendi o preconceito e as manifestações de racismo na história do Brasil e principalmente nas simbologias que teimam  afirmar a inferioridade dos negros e negras, portanto resolvi estudar a situação do negro no decorrer de 500 anos de Brasil e escrever sobre.

No texto abaixo pretendo demonstrar que o maior movimento de resistência da história da humanidade, o movimento quilombola, foi fruto  da formação de um país, uma nação e um Estado que nunca reconheceu a contribuição dos negros e negras na construção deste país, e muito menos o conhecimento  expropriado das diversas culturas africanas, ao contrário  suprimiu a cultura negrafricana.

Devemos lembrar que os africanos eram proibidos de ter o nome da sua ancestralidade, formar família e de  manifestar sua cultural.

Espero que o texto sirva para  levantar discussões, debates e reflexões. Boa leitura


A negraria no Brasil

A pauperização e a exploração de uma parcela dos brasileiros é sem duvida uma realidade constante no Brasil. Esse fato se arrasta ao longo de 500 anos, sendo que o negro e o índio foram os primeiros a sofrerem com esta situação.A formação do Brasil originou-se da confluência de 3 etnias, mas os portugueses; senhores detentores de autoridade e propriedade eram os donos de índios e negros africanos.Os Negros que foram trazidos para o Brasil pertenciam a 3 grandes grupos, sendo sua principal maioria da costa ocidental africana. Os pertencentes ao primeiro grande grupo são: Yorubá – chamados Nagô, os Dahomer- chamados Gegê e os Fanti – Ashanti- conhecidos como Minas. Obviamente, foram trazidos grupos menores, pertencentes à Gâmbia, Serraleoa, Costa da Malagueta e Costa do Marfim. O segundo grupo era composto por culturas africanas Islâmicas; Peuhl, Mandiga e Haussa que se originou do norte da Nigéria (conhecidos na Bahia como negros Malé e no RJ como Alufá). O terceiro e último grande grupo foram os Bantu, grupo Congo-angolês, originários de áreas que vão de Angola a atual Moçambique. Durante muitos anos ensinou-se nas escolas que os índios eram preguiçosos, portanto não serviam para serem escravos, mas, ao fazer esta afirmação vários equívocos foram cometidos, pois se assume o pressuposto de que aceitavam serem escravos! E isso não é verdade, pois prova disso são os Quilombos e a grande revolta dos Malês! Os negros africanos não aceitavam a escravidão, tanto é que muitos sofriam do Banzo – sentimento que levava o negro à morte por saudade -. Algumas mulheres praticavam o infanticídio para que seus filhos não nascessem escravos. Outros fatos que são poucos discutidos são : a diversidade de dialetos falados pelos negros por se originarem de diferentes regiões e a falta de conhecimento geográfico da região, problemas que os índios não tiveram que enfrentar e por isso não eram facilmente escravizados.

“Esses homens e mulheres viviam sem o amor de ninguém , sujos, feios , fedidos, enfermos, sem gozo ou orgulho do corpo castigado diariamente pelas chicotadas, mutilações e queimaduras. Nenhum povo que passasse por isso como rotina de vida, através de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente…”

Segundo Darcy Ribeiro, as marcas da violência permanecem até hoje na nossa sociedade, pois quem são os descendentes de escravos? Ou quem são negros ou brancos puros no Brasil? Perguntas difíceis de serem respondidas já que passamos por um processo de miscigenação que se torna impossível definir qualquer tipo de etnia ou “raça pura” .As mais longas e cruéis lutas que se travaram no Brasil foram de resistência negra e indígena no decorrer dos anos da escravidão. Os negros que formavam os Quilombos eram negros já aculturados que possuíam um conhecimento da natureza brasileira e, portanto, podiam sobreviver.Talvez o aspecto mais interessante que há na história do negro no Brasil é, sem duvida, a incorporação de sua cultura na formação da cultura brasileira. Lembremos-nos que eram trazidas negras designadas amas de leite que cuidavam dos filhos dos senhores de engenho, já que a “Sinhazinha” normalmente era uma adolescente por volta de 12, 13 ou 14 anos.Segundo Gilberto Freire, em “Casa Grande Senzala ”, muitas palavras dos dialetos africanos foram incorporadas no vocabulário do brasileiro como, por exemplo; caçamba, canga, cafuné, vatapá, etc. Os pronomes também sofreram influências, como por exemplo, o modo duro e imperativo de falar: diga-me, faça-me; foi sendo substituído por um modo mais “doce”: me diga, me faça. Certamente por ser o primeiro (faça-me) o imperativo do senhor mandando e o segundo (me faça) é o escravo, a mulher, o filho e a mucama pedindo.Outras influências africanas que podemos observar na cultura brasileira são a culinária, as ervas, os temperos, as músicas e, sobretudo, a religião. Todavia, muitas destas praticas sofreram mutações e influências, a religião por exemplo: os negros ao chegarem ao Brasil, alguns eram batizados em massas e a todos era ensinado o dogma católico.Entretanto, apesar de toda essa brutalidade que foi a escravidão, o negro nunca parou de resistir, ao existir uma possibilidade o negro fugia para formar as vilas ou cidades de resistência (os quilombos). E não foram apenas os Quilombos, houve o desenvolvimento da capoeira: espécie de dança e luta definida pelo toque do berimbau (instrumento em forma de arco feito de pau e arame com uma cabaça amarrada no final, tocada com um pedaço de pau semelhante à vareta e uma pedra). Esta prática começou a ser usada para que os negros pudessem treinar sem despertar suspeita, pois ao verem que alguém indesejado se aproximava, o toque do berimbau mudava a ação e conseqüentemente os capoeiristas que lutavam começavam a gingar, tornando assim o que antes era luta em dança.O candomblé era, e é outra forma de resistência. O mais importante de entender é que o surgimento do candomblé no Brasil, demonstra a necessidade dos negros retornarem ao verdadeiro sentido da comunidade, ou seja, reconstituição da família negra completamente esfacelada com a escravatura. Nesta religião não há oposição, nem contradição e, portanto, não existe exclusão.

“Aquilo que parece contraditório, é na verdade, complementar, pois o dia se opõe à noite, mas se um não viesse após o outro o universo e a vida simplesmente não existiriam”.

O tradicionalíssimo ideal maniqueísta entre bem e mal não existe no candomblé, nem o mal é estigmatizado. Os negros, desde o início da escravidão, cantavam e dançavam rememorando as práticas “Tribais”, a partir de então não demorou para que o processo de sincretismo, entre africanos e católicos, devolvesse aos negros muito do que se havia perdido com a crueldade da escravidão, inclusive a família, que discutiremos posteriormente. Desta forma os negros uniram seus deuses em um único culto católico e com isso a religião africana foi mantida na senzala.Podemos dizer que ao reconstituir a família africana destruída, foi permitido ao candomblé se definir como um elemento de resistência negra no Brasil, pois se tornou sinônimo de sobrevivência de deuses, ritos, tradições e do próprio negro como pessoa.O candomblé é uma religião que para entenda-la é necessário recorrer à inserção do negro na sociedade brasileira, já que seu surgimento se deu em conseqüência da história do negro no Brasil.Esse processo de sincretismo religioso é uma particularidade de países de colonização católica com um alto fluxo de negros. Outro exemplo distinto foi o que se deu nos EUA que, por ser composto de uma população basicamente protestante, não houve possibilidade para que antigos cultos africanos fossem incorporados, mas foi na música que a influência africana difundiu-se pelas igrejas protestantes e pentecostais dos negros americanos. Outro fato importantíssimo neste retrato dos negros no Brasil é o de terem passado da escravidão para a condição de homens livres sem nenhuma política de introdução dos ex-escravos em trabalhadores assalariados.Segundo Florestan Fernandes, os negros construtores absolutos da grandeza da nação brasileira, foram renegados de seu próprio destino. Na metade do século XIX várias manifestações foram feitas com o intuito de estudar a transição do negro escravo em trabalhador livre, mas a descoberta da imigração proporcionou uma mão de obra até mais barata, se comparada com a manutenção da mão-de-obra escrava. Os negros foram abandonados pelos brancos governantes e seus problemas esquecidos como se o negro não fizesse parte da nação brasileira.O imigrante era visto como a grande esperança nacional, onde ele estava, o negro era banido. Acreditava-se que o imigrante era por excelência o agente natural do trabalho assalariado.

“Diante do negro e do mulato abrem-se duas escolhas irremediáveis, sem alternativa. Vedado o caminho da classificação econômica e social pela proletarização, restava-lhes aceitar a incorporação gradual à escória do operariado urbano em crescimento ou abater-se penosamente, procurando no ócio dissimulado, na vagabundagem sistemática ou na criminalidade fortuita meios para salvar as aparências e a dignidade de” homens livres (FLORESTAN) “.

O autor discute, apesar de indiretamente, um fato importante, que é a resistência do negro para se manter em atividades econômicas; muitos dos negros não resistiram e migraram para longe da senzala, lugar de dolorosas lembranças. A grande maioria não migrou para longe, alguns procuravam trabalho em fazendas próximas, mas esse comportamento foi encarado pelos fazendeiros como intolerável ou ingratidão dos negros. Aqueles que deixavam as fazendas eram substituídos pelos imigrantes e jamais retornavam, pois os fazendeiros acreditavam ser uma ofensa a partida do negro que durante muitos anos foi alimentado pelo fazendeiro. O negro perdeu na concorrência e preferência para o imigrante, apesar de não ser tão simples, alguns autores dizem que os fazendeiros expulsavam o liberto para explorar o imigrante, paupérrimo vindo da Europa, outros dizem que os imigrantes apenas ocuparam um vácuo deixado pelo abandono dos libertos. Segundo Florestan, nem uma coisa nem outra, o autor afirma que o que houve foi a preferência dos fazendeiros pelo imigrantes. Nas regiões onde havia prosperidade econômica isso não ocorreu, o liberto foi utilizado como mão de obra nacional, mas devido à preferência aos imigrantes, um grande fluxo migratório de trabalhadores agrícolas se deu no Brasil para regiões do interior, esses eram os negros, mulatos e caboclos, que migravam para regiões de menor concorrência com imigrantes. Nas cidades, o estrangeiro era visto como grande esperança nacional de progresso, símbolo de progresso, tanto que as profissões como magistrado e advocacia, o imigrante pouco aparecia, mas estava sempre presente nas profissões que davam força para o progresso econômico, portanto, o negro foi expolido da competição da cidade (SP), enquanto que o imigrante era eleito como agente do trabalhador livre, mecanismo de ascensão social, aberto pela queda do regime social e constituição da sociedade de classes. O negro foi visto desde o início dos movimentos abolicionista como mero combustível indispensável à abolição, nunca como agente revolucionário e independente, capaz de buscar seus rumos e colocá-los em prática.

“Os libertos sabiam o que não queriam, mas, não sabiam o que queriam coletivamente, e nem como agir socialmente para estabelecer semelhante querer coletivo.”

Ao imigrante, o Brasil surgia como uma nova página na vida; nova pátria e nova vida. Enquanto isso ao negro ainda permanecia a angústia de decidir como, quando e onde trabalhar. A libertação condicional, mesmo com prazo limitadíssimo, não produz efeito algum naquelas almas ulceradas por tão longo cativeiro. Suspeitam, e com razão, que tal “liberdade” era apenas um logro para demorá-los na escravidão, da qual as circunstâncias os livrariam.

“Trabalham, mas com indolência e má vontade: funciona o corpo, mas não o espírito”

Florestan Fernandes salienta ainda como a sociedade escravocrata só preparou o escravo e o liberto nos setores que poderiam produzir um desequilíbrio. A sociedade brasileira possuía o temor da rebelião negra; o negro, inimigo doméstico, inimigo público:

“…é o vulcão que ameaça constantemente a sociedade , é a mina pronta a fazer explosão à menor centelha…”

A sociedade impediu, às vezes através de violência, qualquer forma de organização ou solidariedade aos libertos. Este fato trouxe como conseqüência a emergência do mulato e do negro da sociedade servil para a uma nova ordem vigente sem quaisquer condições sociais para gerir suas vidas. Ao liberto faltava a autodisciplina e o espírito de responsabilidade do trabalhador livre, pois sempre que cobrados, relutavam a dizer – sou livre, e largavam a ferramentas e lá se iam. Muitos dizem que os negros não tinham “cabeça” para dirigir suas vidas, na verdade eles não possuíam experiência e domínio das técnicas sociais e culturais do ambiente cujo uso sempre lhe foram privados como escravos, pois depois de libertos, não foram apresentados e nem instruídos às novas técnicas sociais. Podemos até dizer que a situação do negro pós-abolição era “pior” do que quando escravo, depois de liberto ele foi deslocado da sociedade. A “grande ” liberdade dada ao povo negro no Brasil marca o início da miserabilidade de seus descendentes, os libertos projetavam-se nesta cena histórica com objetivo de definir em sua existência idêntica a dos brancos Senhores. Este fato culmina em uma maior degradação da imagem do negro que não foi aceito pela sociedade como igual. O fim da escravidão não significou o sepultamento do antigo regime, deste, permaneceu a mentalidade, o comportamento e a organização das relações sociais. Segundo Florestan Fernandes, quase meio século se passou desde abolição e a ideologia racial permanece intocável, soberana e a produzir um efeito contrário a uma sociedade multirracial, ou seja, a ordem social mudou mas, o pensamento continuou arraigado ao regime escravocrata ” os quais os tornaram inaptos para compreender o presente e enfrentar com mentalidade construtiva as suas múltiplas exigências revolucionarias.” Além do que, o negro não foi incluído na vida social normal do novo regime. Acreditava-se na absorção gradativa do negro pela identificação do mesmo com os valores dos brancos, desta forma pretendiam instituir a paz social e prevenir qualquer tipo de tensão racial, impossibilitando assim a direta inserção dos negros e mulatos na área dos benefícios e direitos do processo de democratização de garantia e direitos sociais. Segundo Teresinha Bernardo, as negras e os negros em São Paulo que não possuía família na escravidão, ao ser libertos, demoram a constituir família da forma “tradicional” (pai, mãe e filhos); os relatos das senhoras negras, que viveram mais de 70 anos em São Paulo, referem-se aos homens, que mantiveram relações sexuais, com desdenho, há nas falas das senhoras tremendas convicções, que não deixam dúvidas sobre suas auto-suficiência. Estas senhoras negras com certeza tiveram família, entretanto, suas famílias eram ou são matrifocais. Este fato se deu devido a duas questões: a primeira porque as mulheres na escravidão não possuíam maridos, no máximo filhos bastardos e, sobretudo, por residir nestas mulheres raízes da organização sócias – econômicas da África, parafraseando a autora, essa independência da mulher negra pode ser explicada, segundo Pierre Verger, pela tradição da organização familiar poligínica, segunda questão refere-se aos homens negros que na escravidão não possuíam família, vínculos afetivos ou qualquer responsabilidade que dizia respeito à estrutura familiar. Em seu livro, a autora descreve a situação do homem negro liberto na cidade de São Paulo, relato quase semelhante ao de Florestan; ambos relatam as dificuldades desses homens em sobreviver na cidade que os enxergavam como desiguais e inferiores, e quando algum branco os oferecia trabalho eles eram eternamente gratos. As obras literárias são também fontes reveladoras desta situação de resistência ou rejeição da presença do negro na cultura brasileira, ou seja, os escritores não reconheciam o negro enquanto brasileiro. Exemplos de criação romântica é a obra de Gonçalves Dias e José de Alencar – enaltecedores da presença indígena na identidade brasileira. Em “Preconceito de cor e a mulata na literatura“, Teófilo de Queirós Júnior faz uma análise comparativa entre a mulata e a nativa, e demonstra o papel de ambas na literatura:

“a mulata não teve possibilidade, como ocorreu com a nativa, de se transformar em figura em torno da qual se pudesse exaltar as qualidades da terra, a pureza do povo, o valor de uma cultura merecedora de admiração. A mulata não conduziu, pois, poemas épicos de estilo camoniano, relativos a momentos marcantes de uma nação que se iniciava (QUEIRÓS)”

Aos negros na literatura restava apenas o aspecto bestial e exótico, segundo Clóvis Moura. Devemos lembrar que a literatura ocupava uma função ideológica de manutenção do “status quo” no modo de produção escravista. Seu principal papel era firmar a manutenção da “superioridade” branca em detrimento da “inferioridade” negra, na verdade, todo sofrimento e complexidade da escravidão não atraíram a atenção dos escritores. Talvez por ausência de classe média no Brasil da época e conseqüentemente de escritores independentes. Somente nos idos do século XVII, Gregório de Matos canta a mulata, mas por ser um escritor que durante quase dois séculos permaneceu no anonimato, a inserção da mulata na literatura retardou a surgir, ou seja, segundo Clovis Moura “a literatura dos românticos existia como suporte ideológico para a manutenção da relação de dominação, isto é, embasamento da superioridade racial, principal justificativa da escravidão”. Em 1857 é publicado o romance “A Escrava Isaura” de Bernardo Guimarães, um belo exemplo do fenômeno do embranquecimento, em suma, o escravo não podia ser descrito como provido de uma beleza humana. Na obra de Gregório de Matos a mulata oscilava entre características angelicais e demoníacas, obviamente que prevalecia o demônio. Outro romance do “boca do inferno” (Gregório de Matos) é “Rosa” que se nota na obra uma presença mais africana e resta-lhe a marca da sexualidade e exotismo, palavras muito familiar quando se refere às mulatas; Isaura (única personagem do naturalismo), Rita baiana (de “O Cortiço” de Aluizo Azevedo). Portanto, segundo os estudos de Roger Batista sobre o estereótipo na literatura brasileira, tanto Gregório de Matos que via no negro a expressão da sujeira e feiúra, como Bernardo Guimarães que apresentava os desgostos de Isaura, são denunciados como agentes do preconceito, já que não colocava em cheque a questão da estrutura étnica social brasileira.

Gregório de Matos:

“Ter sangue de carrapato

seu estoraque do Congo

cheirar-lhe a roupa a mondongo

é cifrar de perfeição”

Bernardo Guimarães:

“já tive a desgraça de nascer cativa, não era melhor como a mais vil das negras”

Dos autores e escritores da literatura, de todos que pesquisamos, o primeiro a tratar o negro em sua obra com humanismo foi Castro Alves. Talvez, Castro Alves estivesse “embevecido” pelos discursos abolicionistas da época, o qual fazia parte. Segundo Celso Prudente, Castro Alves em seus poemas “Bandido Negro” aponta “a vingança” do negro como fator imprescindível para a abolição, não a liberdade do escravo como fator fundamental para a existência da plenitude do homem, na sua condição ontológica. Na realidade o senhor também era escravo da dependência do trabalho no escravismo . Outro ponto importante a ser salientado é a imagem do negro na telenovela brasileira. Assunto pesquisado e discutido no documentário de Joelzito de Oliveira “A negação do Brasil”, que se inicia retratando o primeiro sucesso de uma mulher negra na telenovela brasileira (Isaura Bruno, em Direito de Nascer-1960. TV-Tupi), entretanto, paralelo a este sucesso, deve ser lembrado duas questões: Primeiro os diversos estereótipos a qual o negro sempre foi associado (mãe preta, preto velho, mártir, negrão malandro, favelado, crioulo doido, mulata boa, etc). Segundo Joelzito, apesar de todo o sucesso alcançado por Isaura Bruno encenado em SP e RJ ao vivo para TV brasileira, encerrou sua vida vendendo doces na praça da Sé, totalmente desconhecida, protagonizando assim como seria o reconhecimento do negro na TV brasileira. O autor salienta ainda em a “Negação do Brasil” o desaparecimento da atriz Isaura Bruno da TV que passou inteiramente desapercebido à crença na democracia racial, o desejo do branqueamento era tão forte nos anos 60 que “nos” impediu de perceber o desfecho trágico de Isaura Bruno. Em 1969/70 foi lançada a novela “A Cabana do Pai Tomas”, que contou com o primeiro grande elenco negro da TV brasileira. Os Protagonistas eram Ruth de Souza e Sérgio Cardoso, só que Sérgio Cardoso, além de protagonista, fazia na novela o papel do pai Tomas, pintando-se de preto, colocando rolha no nariz e algodão na boca para falar como “Pai Véio”- estereótipo do negro- só que desta vez disseram que não havia negro com capacidade de interpretar o personagem. Este episódio causou tremenda repercussão entre os quais Plínio Marcos em SP que levantou uma questão, “país constituído por grande contingente de negros e mulatos e um ator branco é chamado para fazer o papel de um negro como se nenhum negro tivesse capacidade de fazer esse papel”. A novela entrou em desgaste com as discussões e para findá-la, um incêndio ocorrido no estúdio em SP, obrigou a transferir os locais de gravações para RJ, encerrando assim, este horrível episódio da telenovela brasileira. Os papéis para os negros eram sempre de inferioridade social e cultural, podemos observar este fato através dos estereótipos, exemplo da empregada doméstica, a criada alcoviteira muitas vezes mentirosa e maliciosa. O maior sucesso foi Zita em “Como Salvar meu casamento” (de Edy Lima e Carlos Lombardi da TV-Tupi 68/69) onde apesar de um final que demonstra o talento da empregada, o que prevalece é o discurso da bondade da patroa. Toni Tornado diz no documentário que, em “Roque Santeiro” de Dias Gomes, o mais lógico seria que a viúva Porcina ficasse com seu capataz Rodézio, o único que realmente não a abandonou, inclusive segundo Toni foram filmado três finais, mas a rede Globo não teve coragem de colocar a cena da viúva com o capataz no ar. Em a “Escrava Isaura” de Gilberto Braga 1976/77, apesar de enfatizar a brutalidade da escravidão, Isaura foi interpretada por uma atriz branca, que além de passar a idéia de que a libertação dos escravos foi conseqüência da bondade dos brancos para com os negros, ignorando todo o processo histórico de formação do mercado interno e trabalho assalariado, elementos imprescindíveis ao sistema capitalista.

Gabriela cravo e canela” de Walter G. Durst –1975- TV Globo, foi uma novela que apesar das características da mulata brasileira escrita por Jorge Amado, a TV escolheu uma atriz quase branca para interpretar a Gabriela. Segundo Walter Avancini, diretor da novela, não havia nenhuma atriz negra ou mulata no Brasil na época, que tivesse capacidade de interpretar a personagem, além do que dos anos 70 aos 90 o negro não possuiu espaço na TV porque as novelas eram voltadas para um público de classe média e média alta.

Contraditoriamente a isto o teatro experimental do negro foi um “Grupo fundado e dirigido em 1944 por Abdias do Nascimento, com o intuito de abrir as portas das artes cênicas brasileira aos atores negros”

O teatro experimental do negro fez, em dezembro de 1948, o primeiro exemplar do jornal Quilombo.

“O quilombo expressa o modo como tal projeto transformou-se numa ampla mobilização política, seja cultural, seja educacional, seja eleitoral, para conquistar para os negros um lugar autônomo na emergente democracia brasileira”

Este jornal publica notícias e discussões sobre o negro na sociedade brasileira e na cultura do Brasil, cronista como Nelson Rodrigues escrevia para o jornal, inclusive discutindo preconceito no teatro. A literatura de Lima Barreto e Cruz de Souza foram notícias do Quilombo, além da culinária, candomblé, cinema, rádio, etc. O Quilombo foi um importante instrumento de resistência das comunidades negras da década de 40 como imprensa escrita. É importante salientar que tanto Ruth de Souza como Milton Gonçalves (dois dos mais importantes atores da historia brasileira) foram participantes do “teatro experimental do negro” e muitos outros atores e atrizes que iniciaram esta resistência. Peças de Sartre, Shakespeare e muitos outros autores foram interpretados , até Albert Camus quando veio ao Brasil foi visitar o teatro experimental do negro, portanto, a afirmação de Ancinie que no Brasil não existia negros com capacidade , é equivocada , talvez o que não houvesse era uma negra com os fenótipos desejados pela direção em “Gabriela cravo e canela” e a “Cabana do pai Tomas”. Talvez não existisse vontade de colocar um negro para representar o pai Tomas ao invés de produzir o ultimo Black face da telenovela brasileira (não podemos esquecer que nesta época, Grande Otelo é ator de muitos filmes da Atlântida). Retornado a discussão do negro na telenovela, foi em 1975/76 na TV Globo que Janete Clair fez “Pecado Capital”, novela pioneira em mostrar a ascensão dos negros naquele período de mobilidade social. Milton Gonçalves interpreta um personagem de classe média, negro de sucesso com o público, o psiquiatra Percival Garcia, entretanto, havendo uma aproximação do personagem negro com a personagem branca, sugerindo um possível romance, as cartas mandadas para emissora protestaram. Segundo Milton Gonçalves, as manifestações eram predominância do pensamento racista que existia na época e muitas vezes até hoje -”o negro tem que saber o seu lugar”. A TV Tupi por sua vez produz “Gaivotas” de Jorge Andrade -1979, que criou o personagem negro mais bem posicionado na classe média; Otávio (Gesio Amadeu) era o braço direito do patrão, apesar de Engenheiro Chefe não possuiu nenhuma importância na trama. O estereótipo do ser exótico acompanhou Otávio, vítima do assédio preconceituoso de Lúcia (empregada doméstica branca) que pregava a idéia do negro prolixo (negro possui pênis grande). No final o que restou para Otávio foi o namoro inter-racial com a preconceituosa Lúcia, formando assim a falsa idéia da democracia racial. Este conceito da democracia social é de ampla discussão, pois a idéia que o Brasil é um país preconceituoso, mas, racialmente democrático vem do argumento de ter havido no Brasil uma miscigenação entre o branco e a negra que em outros países escravistas não houve, todavia, não podemos esquecer que a miscigenação foi violenta, o filho mestiço foi fruto do estupro do homem branco. Essa idéia possui sua origem na teoria do antropólogo Gilberto Freire – “Casa grande Senzala” que salienta como positivo esta mistura entre colonizadores e escravas, mas tanto Florestam Fernandes como Darcy Ribeiro escreveram não existir esta tal democracia Racial. O preconceito no Brasil é tão sutil que nem imaginamos. Outro fortalecimento da democracia racial na telenovela é a “Próxima Vitima “- Silvio Abreu 1995, onde o autor cria uma família de classe média negra, que cativa à simpatia do público, porém, a família não discute problemas raciais , os preconceitos discutidos na novela foram outros; o amor de diferentes idades e o amor entre homossexuais , à vítima foi um rapaz branco, tentando se relacionar com a filha negra (Camila Pitanga) e sofrendo rejeição da família. Segundo Maurício Gonçalves, a novela brasileira não consegue atender a diversidade racial e hoje o estereótipo não acabou, só que agora é a negona boazuda e o negro ladrão ou jogador de futebol. Este panorama da história do negro que decorre na literatura, TV e teatro, é porque entendemos que está na construção do processo histórico a raiz do preconceito. Durante quase 400 anos os negros foram arrancados de sua terra, família, cultura e feito escravo. Ao escravo era proibido dirigir sua vida, seus gostos, costumes, crenças e verdades. Não satisfeitos, deram a liberdade e violentaram no mais uma vez, introduziram os negros sem nenhuma condição na nova ordem vigente. Perpetuaram o discurso preconceituoso e ensinaram a terem vergonha de sua descendência escrava, esconderam e menosprezaram a riqueza da cultura brasileira, fruto da cultura africana.

Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro.Cia das Letras.SP.1998.Pag 113-114

Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro.Cia das Letras.SP.1998. pag113-114

Freire, Gilberto. Casa Grande Senzala Record.RJ. pág 390.

Idem.pág 409

Eyin, Pai Cido de Òsun.O segredo da panela. Mandarim. SP. pag32.

Fernandes, Florestan. A Integração do negro na sociedade de Classe. pag 27

idem.pag 27

Fernandes, Florestan. A Integração do negro na sociedade de Classe. Pag 48

Fernandes, Florestan. A Integração do negro na sociedade de Classe. Pag 31

idem.pag 73

idem. pag 83

idem. Pag 91

Fernandes, Florestan. A Integração do negro na sociedade de Classe.pag 250

Queirós, Teófilo Junior. Preconceito de cor e a mulata na literatura Brasileira. SP. Ática, 1975 p.31

Moura, Clóvis. Sociologia do negro pag 26

Batiste, Roger. Estudos Afro-brasileiro, 3 serie. São Paulo- FFLCH, boletim. N 154, sociologia (1)

( idem)

Prudente, Celso. O negro como possível referencial estético no filme Barravento de Glauber Rocha. P.26

(Idem) p.27

Nascimento, Abdias. Quilombo. Edição FAC – Similar do Jornal dirigido por Abdias do Nascimento de dezembro de 1948 a julho de 1950 . RJ 1-10 , p 10.

idem pag 10

idem Primeira Edição.

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